Capitulo 5- Minha mae como exemplo.
Como eu sabia em meu coracao que minha mae estava mais forte, eu perguntei a ela porque estava chorando.
" Não estou chorando! Ha alguma coisa nos meus olhos", ela respondeu.
Eu acho que ela não queria me preocupar; ela nunca compartilhou comigo o desapontamento e seus problemas causados pelo meu pai. Contudo ela não se tocou que eu estava presente em quase todas as brigas deles.
A decisão do meu pai de nao ir mais as atividades local da Gakkai não interferiu na pratica da minha mae. Ela ficou mais ativa e forte na fé, mais que nunca! Ela recitava por mais de duas horas por dia e participava em todas as reuniões que ela pudesse.
As reuniões eram normalmente em dois diferentes lugares; na casa do Sr. Teles em paciência ( para a reunião de comunidade) e na casa da Senhora Flora em Campo Grande ( para as reuniões de Distrito). Quando a reunião era em Campo Grande nos tínhamos que ir de ônibus porque era muito longe da nossa casa. Mas quando a reunião era em Paciência nos íamos a pé.
Como minha mae era a única pessoa que trabalhava permanente ,porque meu pai era autônomo, ela não tinha dinheiro suficiente para pegar ônibus para todas as atividades então ela de vez enquanto guardava algum dinheiro para as reuniões que eram muito longe de casa ( Campo Grande), e nos caminhávamos para as reuniões que eram mais perto ( Paciência).
Na época nos morávamos em uma área chamada Urucãnia, que ficava entre os bairros de Paciência e Santa Cruz. Urucãnia era uma área onde foram construído casas populares pelo governo para pessoas que tinham renda muito baixa. As pessoas se inscreviam e esperavam ser chamada. Quando mudamos para lá não tinha ainda asfalto ( as ruas eram de barro) e nao tinha iluminação nas estradas. Para enxergar a estrada quando saímos a noite, tínhamos que seguir o farol dos carros.
A caminhada da nossa casa ate Paciência levava quase uma hora e meia cada volta. Portanto três horas para participar das reuniões! Talvez para um adulto sozinho poderia ser menos tempo mas com uma criança pequena como eu, demorava mais.
Quando estava muito quente ou chovendo, minha mae pedia carona; isso podia ser um carro de policia ou qualquer pessoa quer ela sentisse que não oferecia perigo. Quando ela sentia que não seria seguro ela apenas pedia uma informação, mais se ela sentisse que o motorista era tudo bem nos entravamos no carro. Tudo estava já planejado!
Eu não gostava de pegar carona. " Mae eu prefiro caminhar!" Eu dizia. Apesar de naquela época pegar carona era quase normal, eu tinha medo de alguém fazer alguma coisa ruim com agente.
Ela nunca me ouviu porque ela estava preocupada comigo; eu era pequena e ela pensou que a caminhada seria muito difícil para mim.
Se as reuniões fossem a noite, eu ficava preocupada e com medo porque a estrada que nos tínhamos que passar eram muito escuras e desertas, e quando um carro se aproximava nos nao conseguíamos ver quem estava dentro. Isso me dava medo!
Eu lembro de uma noite que nos estávamos indo a pé e um carro estava atras de nos como se tivesse nos seguindo.
" Mae estou com medo", eu disse.
" Você nao precisa ter medo! Nada vai acontecer com agente!, ela disse. E ela recitou Nam- myoho- renge- kyo alto ate o carro ir embora e nos duas estarmos seguras.
Eu fiz Daimoku também mas não alto.
Quando voltávamos da reunião nos sempre tínhamos alguém para nos fazer companhia tanto a pé quanto de carona oferecida pelo senhor Paulo, um membro da divisão dos homens, que tinha um fusca velho e verde.
O carro tinha muitos problemas; era cheio de buracos que nos as vezes sentíamos nossos pés baterem no chão. E nossos pés ficavam molhados quando chovia. Também não tinha para- brisa e alguém tinha que por o braço para fora e limpar o vidro com um pano para que senhor Paulo pudesse ver a estrada. A parte mais engraçada era quando senhor Paulo tinha que gritar para outros motoristas quando ele queria virar a esquerda, direita ou ultrapassar eles porque o carro também não tinha indicadores.
" Oi! Desculpa! Eu preciso virar a direita!" Ele gritava.
Nos todos riamos alto. Era muito engraçado!
A parte mais emocionante era quando a chuva estava muito forte ao ponto do senhor Paulo nao consegui ver a estrada e fazíamos Daimoku juntos.
Eu tenho que admitir que era uma verdadeira aventura!
Nos sabíamos que a viagem naquele carro podia ser muito perigoso mas eu acho que ninguém queria voltar para casa a pé de noite e também porque todos estavam cansados e com fome.
Anos mais tarde senhor Paulo foi promovido no trabalho e ele comprou um lindo carro. Aquele beneficio foi obviamente o resultado do esforço dele pelo kosen rufu. E ele continuou a dar carona para todos que encontrava no caminho para as atividades da Gakkai.
Quando finalmente chegamos em casa minha MAE sempre dizia, " vamos fazer Daimoku Sansho ( Nam- myoho- rengue-Kyo tres vezes ) para agradecer pelo dia e por termos chegado em casa a salvos. Eu fiz! Eu realmente fiz!
Nos estávamos sempre muito cansadas e famintas quando chegávamos em casa depois das atividades a noite. Contudo nos sentíamos uma satisfação e felicidade dentro de nos.
Meu pai nunca estava em casa quando nos chegávamos. Ele estaria provavelmente com a bicicleta dele. Ele com freqüência chegava tarde ou não voltava para casa. As vezes nos não víamos ele por muitos dias.
Sempre éramos eu e minha MAE! Nos jantávamos e íamos para a cama!
Quando minha MAE foi indicada como líder de Bloco das senhoras, onde meu pai estava atuando como responsável dos homens e geral, foi dada a ela uma lista de membros da senhoras que ela estaria dando o apoio na fé. Muitas delas estavam enfrentando dificuldades com a pratica individual diária e de participar das atividades.
Então minha MAE decidiu fazer visita individual para cada uma! Naquela época quase ninguém tinha telefone em casa muito menos celular. Portanto nos tínhamos que ir diretamente na casa das senhoras sem avisar e ter a sorte de elas terem tempo para nos receber.
Algumas vezes elas estavam em casa mas pediam para dizer que não estavam. Minha MAE nunca desistiu delas e voltou lá muitas vezes.
Eu lembro que uma vez fomos visitar uma senhora que minha MAE sabia que ela estava com muitos problemas e sofrendo bastante, então minha MAE decidiu sentar e esperar por ela na frente da casa dela. A senhora estava na verdade em casa e se sentiu muito mal por deixar minha MAE do lado de fora esperando por ela por muito tempo já que ela estava em casa. Então a senhora abriu a porta e convidou minha MAE para entrar. Elas recitaram Daimoku e conversaram por um longo tempo. A partir daquele dia a senhora começou novamente a pratica dela diária de Gongyo e Daimoku e voltou as atividades. E ela também passou a receber minha MAE na casa dela sempre e se tornaram boas amigas.
Como não haviam muitas senhoras no Bloco, minha mae pode visitar a mesma pessoa por varias vezes durante o mês conseguindo criar boa relação com cada uma.
Todas as vezes que minha mae tinha visita para fazer ela recitava Daimoku em casa para a felicidade da pessoa a ser visitada e para que a visita fosse de coração a coração. Que a visita fosse muito boa! Ela também lia o jornal BSTC (Brasil Seikyo Terceira Civilização) para usar as orientações do Presidente Ikeda e os Goshos ( cartas) de Nichiren Daishonin como base para as visitas. Eu não lembro minha mae dizendo coisas que não eram baseados na visão budista. Ela não ia a nenhuma visita sem Daimoku e o jornal dela!
Lendo as orientações do Presidente Ikeda e a serie da novela A Nova Revolução Humana, minha mae construiu uma forte ligação com o coracao do Presidente Ikeda e com a intenção e trabalho dele. Ela admirava os esforços dele para assumir o sonho do mestre dele Jossei Toda de viajar para outros países para propagar o Budismo. Ela percebeu e entendeu fortemente que seria impossível para ela praticar o budismo se ele não tivesse cumprido o que prometeu ao mestre dele, o desejo do mestre dele. Então ela decidiu ter o Daisaku Ikeda como seu mestre!
" Tatiana, ele ( Daisaku Ikeda) e o tipo de pessoa que você pode seguir por toda sua vida!" Ela me disse.
Eu nao entendi na época mas essas palavras nunca saíram da minha mente.
As visitas individuais eram prioridades para minha mae. Ela foi encorajada pelo Daisaku Ikeda, seu mestre, através das orientações dele que um dialogo de coração a coração muda vidas. Ela estava comprovando as orientações do seu mestre que quando as pessoas se encontram cara a cara eles falam mais sobre os sofrimentos que estão passando. Ela concordava com o mestre dela que as pessoas não falavam dos seus mais profundos sofrimentos em uma reunião , especialmente quando e grande e tem muitas pessoas. E para que ela pudesse ter um grande dialogo deveria conquistar primeiro a confiança das pessoas visitadas.
Apesar de eu não gostar de caminhar com minha MAE quando a casa era longe, eu gostava muito quando a visita terminava e o rosto da pessoas estavam diferentes; de um rosto triste para um rosto com sorriso e bochechas rosadas.
Minha mae estava sempre mais feliz também. Eu sentia que ela tinha sido encorajada também!
As reuniões do Bloco que meus pais tinham sido indicados como responsáveis começou a ser na minha casa. Nossa casa era pequena com uma pequena sala e um quarto. A sala não tinha sofá e o chão era de cimento.
Minha mae colocava um carpete no chão e ela fez algumas almofadas para os membros sentarem. E um membro do grupo trazia cadeiras para usar na reunião.
Apesar de nos não termos dinheiro suficiente para pagar todas as nossas despesas, minha mae sempre usava dinheiro para cozinhar alguma coisa ( bolo, biscoitos) para oferecer as pessoas que vinham a reunião.
Nao haviam muitas pessoas na reunião no inicio. Mas depois que minha mae determinou fazer as visitas individuais nossa sala foi ficando cada vez menor!
Eu lembro de uma reunião que o senhor Freire, levou um carro lotado de convidados. E algumas pessoas tiveram que assistir a reunião pela janela do lado de fora da sala.
Nosso grupo teve que se dividir para fazer as reuniões mais confortáveis e agradáveis para todos e minha MAE foi indicada como responsável do outro Bloco onde tinha poucos membros e muitos deles estavam com dificuldades na pratica e de participar das reuniões. Então nos começamos tudo de novo! Visita individual!
Então, através da pratica da minha MAE e das atividades ela decidiu voltar a escola e fez um curso de auxiliar de enfermagem.
Eu achei minha mae muito corajosa de voltar a escola depois de mais de dez anos. Eu senti muito orgulhosa dela.
O curso foi em um ano e quando ela terminou conseguiu um trabalho em um hospital.
A boa coisa do novo trabalho da minha mae era que nossa situação financeira melhorou muito. Nos podíamos ir de transportes para todas as reuniões e podíamos ter queijo e presunto para o café da manha.
A coisa ruim do trabalho novo da minha mae e que as vezes ela tinha que trabalhar de plantão por 24 horas que significava que eu tinha que ficar com meu pai.


