Monday, August 26, 2013

Capitulo 5



Capitulo 5- Minha mae como exemplo. 
 

Como eu sabia em meu coracao que minha mae estava mais forte, eu perguntei a ela porque estava chorando. 

" Não estou chorando! Ha alguma coisa nos meus olhos", ela respondeu. 

Eu acho que ela não queria me preocupar; ela nunca compartilhou comigo o desapontamento e seus problemas causados pelo meu pai. Contudo ela não se tocou que eu estava presente em quase todas as brigas deles.  
 
A decisão do meu pai de nao ir mais as atividades local da Gakkai não interferiu na pratica da minha mae. Ela ficou mais ativa e forte na fé, mais que nunca! Ela recitava por mais de duas horas por dia e participava em todas as reuniões que ela pudesse.  

As reuniões eram normalmente em dois diferentes lugares; na casa do Sr. Teles em paciência ( para a reunião de comunidade) e na casa da Senhora Flora em Campo Grande ( para as reuniões de Distrito). Quando a reunião era em Campo Grande nos tínhamos que ir de ônibus porque era muito longe da nossa casa. Mas quando a reunião era em Paciência nos íamos a pé. 

Como minha mae era a única pessoa que trabalhava permanente ,porque meu pai era autônomo, ela não tinha dinheiro suficiente para pegar ônibus para todas as atividades então ela de vez enquanto guardava algum dinheiro para as reuniões que eram muito longe de casa ( Campo Grande), e nos caminhávamos para as reuniões que eram mais perto ( Paciência). 

Na época nos morávamos em uma área chamada Urucãnia, que ficava entre os bairros de Paciência e Santa Cruz. Urucãnia era uma área onde foram construído casas populares pelo governo para pessoas que tinham renda muito baixa. As pessoas se inscreviam e esperavam ser chamada. Quando mudamos para lá não tinha ainda asfalto ( as ruas eram de barro) e nao tinha iluminação nas estradas. Para enxergar a estrada quando saímos a noite, tínhamos que seguir o farol dos carros. 

A caminhada da nossa casa ate Paciência levava quase uma hora e meia cada volta. Portanto três horas para participar das reuniões! Talvez para um adulto sozinho poderia ser menos tempo mas com uma criança pequena como eu, demorava mais. 

Quando estava muito quente ou chovendo, minha mae pedia carona; isso podia ser um carro de policia ou qualquer pessoa quer ela sentisse que não oferecia perigo. Quando ela sentia que não seria seguro ela apenas pedia uma informação, mais se ela sentisse que o motorista era tudo bem nos entravamos no carro. Tudo estava já planejado! 

Eu não gostava de pegar carona. " Mae eu prefiro caminhar!" Eu dizia.  Apesar de naquela época pegar carona era quase normal, eu tinha medo de alguém fazer alguma coisa ruim com agente. 
 
Ela nunca me ouviu porque ela estava preocupada comigo; eu era pequena e ela pensou que a caminhada seria muito difícil para mim. 

Se as reuniões fossem a noite, eu ficava preocupada e com medo porque a estrada que nos tínhamos que passar eram muito escuras e desertas, e quando um carro se aproximava nos nao conseguíamos ver quem estava dentro. Isso me dava medo! 
 
Eu lembro de uma noite que nos estávamos indo a pé e um carro estava atras de nos como se tivesse nos seguindo. 

" Mae estou com medo", eu disse. 
 
" Você nao precisa ter medo! Nada vai acontecer com agente!, ela disse. E ela recitou Nam- myoho- renge- kyo alto ate o carro ir embora e nos duas estarmos seguras.

Eu fiz Daimoku também mas não alto. 
 
Quando voltávamos da reunião nos sempre tínhamos alguém para nos fazer companhia tanto a pé quanto de carona oferecida pelo senhor Paulo, um membro da divisão dos homens, que tinha um fusca velho e verde. 
 
O carro tinha muitos problemas; era cheio de buracos que nos as vezes sentíamos nossos pés baterem no chão. E nossos pés ficavam molhados quando chovia. Também não tinha para- brisa e alguém tinha que por o braço para fora e limpar o vidro com um pano para que senhor Paulo pudesse ver a estrada. A parte mais engraçada era quando senhor Paulo tinha que gritar para outros motoristas quando ele queria virar a esquerda, direita ou ultrapassar eles porque o carro também não tinha indicadores. 

" Oi! Desculpa! Eu preciso virar a direita!" Ele gritava. 

Nos todos riamos alto. Era muito engraçado! 
 
A parte mais emocionante era quando a chuva estava muito forte ao ponto do senhor Paulo nao consegui ver a estrada e fazíamos Daimoku juntos. 

Eu tenho que admitir que era uma verdadeira aventura! 

Nos sabíamos que a viagem naquele carro podia ser muito perigoso mas eu acho que ninguém queria voltar para casa a pé de noite e também porque todos estavam cansados e com fome.

Anos mais tarde senhor Paulo foi promovido no trabalho e ele comprou um lindo carro. Aquele beneficio foi obviamente o resultado do esforço dele pelo kosen rufu. E ele continuou a dar carona para todos que encontrava no caminho para as atividades da Gakkai. 
 
Quando finalmente chegamos em casa minha MAE sempre dizia, " vamos fazer Daimoku Sansho ( Nam- myoho- rengue-Kyo tres vezes ) para agradecer pelo dia e por termos chegado em casa a salvos. Eu fiz! Eu realmente fiz! 

Nos estávamos sempre muito cansadas e famintas quando chegávamos em casa depois das atividades a noite. Contudo nos sentíamos uma satisfação e felicidade dentro de nos. 
 
Meu pai nunca estava em casa quando nos chegávamos. Ele estaria provavelmente  com a bicicleta dele. Ele com freqüência chegava tarde ou não voltava para casa. As vezes nos não víamos ele por muitos dias. 

Sempre éramos eu e minha MAE! Nos jantávamos e íamos para a cama! 
 
Quando minha MAE foi indicada como líder de Bloco das senhoras, onde meu pai estava atuando como responsável dos homens e geral, foi dada a ela uma lista de membros da senhoras que ela estaria dando o apoio na fé. Muitas delas estavam enfrentando dificuldades com a pratica individual diária e de participar das atividades. 

Então minha MAE decidiu fazer visita individual para cada uma! Naquela época quase ninguém tinha telefone em casa muito menos celular. Portanto nos tínhamos que ir diretamente na casa das senhoras sem avisar e ter a sorte de elas terem tempo para nos receber. 

Algumas vezes elas estavam em casa mas pediam para dizer que não estavam. Minha MAE nunca desistiu delas e voltou lá muitas vezes. 

Eu lembro que uma vez fomos visitar uma senhora que minha MAE sabia que ela estava com muitos problemas e sofrendo bastante, então minha MAE decidiu sentar e esperar por ela na frente da casa dela. A senhora estava na verdade em casa e se sentiu muito mal por deixar minha MAE do lado de fora esperando por ela por muito tempo já que ela estava em casa. Então a senhora abriu a porta e convidou minha MAE para entrar. Elas recitaram Daimoku e conversaram por um longo tempo. A partir daquele dia a senhora começou novamente a pratica dela diária de Gongyo e Daimoku e voltou as atividades. E ela também passou a receber minha MAE na casa dela sempre e se tornaram boas amigas. 
 
Como não haviam muitas senhoras no Bloco, minha mae pode visitar a mesma pessoa por varias vezes durante o mês conseguindo criar boa relação com cada uma. 
 
Todas as vezes que minha mae tinha visita para fazer ela recitava Daimoku em casa para a felicidade da pessoa a ser visitada e para que a visita fosse de coração a coração. Que a visita fosse muito boa! Ela também lia o jornal BSTC (Brasil  Seikyo Terceira Civilização) para usar as orientações do Presidente Ikeda e os Goshos ( cartas) de Nichiren Daishonin como base para as visitas. Eu não lembro minha mae dizendo coisas que não eram baseados na visão budista. Ela não ia a nenhuma visita sem Daimoku e o jornal dela!

Lendo as orientações do Presidente Ikeda e a serie da novela A Nova Revolução Humana, minha mae construiu uma forte ligação   com o coracao do Presidente Ikeda e com a intenção e trabalho dele. Ela admirava os esforços dele para assumir o sonho do mestre dele Jossei Toda de viajar para outros países para propagar o Budismo. Ela percebeu e entendeu fortemente que seria impossível para ela praticar o budismo se ele não tivesse cumprido o que prometeu ao mestre dele, o desejo do mestre dele. Então ela decidiu ter o Daisaku Ikeda como seu mestre! 

" Tatiana, ele ( Daisaku Ikeda) e o tipo de pessoa que você pode seguir por toda sua vida!" Ela me disse. 

Eu nao entendi na época mas essas palavras nunca saíram da minha mente. 
 
As visitas individuais eram prioridades para minha mae. Ela foi encorajada pelo Daisaku Ikeda, seu mestre, através das orientações dele que um dialogo de coração a coração muda vidas. Ela estava comprovando as orientações do seu mestre que quando as pessoas se encontram cara a cara eles falam mais sobre os sofrimentos que estão passando. Ela concordava com o mestre dela que as pessoas não falavam dos seus mais profundos sofrimentos em uma reunião , especialmente quando e grande e tem  muitas pessoas. E para que ela pudesse ter um grande dialogo deveria conquistar primeiro a confiança das pessoas visitadas. 

Apesar de eu não gostar de caminhar com minha MAE quando a casa era longe, eu gostava muito quando a visita terminava e o rosto da pessoas estavam diferentes; de um rosto triste para um rosto com sorriso e bochechas rosadas. 

Minha mae estava sempre mais feliz também. Eu sentia que ela tinha sido encorajada também! 

As reuniões do Bloco  que meus pais tinham sido indicados como responsáveis começou a ser na minha casa.  Nossa casa era pequena com uma pequena sala e um quarto. A sala não tinha sofá e o chão era de cimento.

Minha mae colocava um carpete no chão e ela fez algumas almofadas para os membros sentarem. E um membro do grupo trazia cadeiras para usar na reunião. 

Apesar de nos não termos dinheiro suficiente para pagar todas as nossas despesas, minha mae sempre usava dinheiro para cozinhar alguma coisa ( bolo, biscoitos)  para oferecer as pessoas que vinham a reunião. 

Nao haviam muitas pessoas na reunião no inicio. Mas depois que minha mae determinou fazer as visitas individuais nossa sala foi ficando cada vez menor! 

Eu lembro de uma reunião que o senhor Freire, levou um carro lotado de convidados. E algumas pessoas tiveram que assistir a reunião pela janela do lado de fora da sala. 

Nosso grupo teve que se dividir para fazer as reuniões mais confortáveis e agradáveis para todos e minha MAE foi indicada como responsável do outro Bloco onde tinha poucos membros e muitos deles estavam com dificuldades na pratica e de participar das reuniões. Então nos começamos tudo de novo! Visita individual! 

Então, através da pratica da minha MAE e das atividades ela decidiu voltar a escola e fez um curso de auxiliar de enfermagem. 
 
Eu achei minha mae muito corajosa de voltar a escola depois de mais de dez anos. Eu senti muito orgulhosa dela.

O curso foi em um ano e quando ela terminou conseguiu um trabalho em um hospital. 
 
A boa coisa do novo trabalho da minha  mae era que nossa situação financeira melhorou muito. Nos podíamos ir de transportes para todas as reuniões e podíamos ter queijo e presunto para o café da manha.  

A coisa ruim do trabalho novo da minha mae e que as vezes ela tinha que trabalhar de plantão por 24 horas que significava que eu tinha que ficar com meu pai. 

Thursday, August 22, 2013

Capitulo 4


Capitulo 4- Meu Pai
( na minha frente da esquerda pra a direita na foto acima) 

Um mês antes de receber o Gohonzon, meu pai decidiu arrumar algumas madeiras baratas e construir o oratório ( butsudan) para consagrar o Gohonzon. Ele levou uma semana e eu lembro que ficou grande e bonito. Meu pai era muito bom em fazer coisas manuais. 

No dia que meu pai recebeu o " Gohonzon familiar" muitos membros da organização que conheciam e deram suporte aos meus pais vieram a nossa casa para consagrar o Gohonzon. 

Minha mae ofereceu bolos, biscoitos e suco para todos. A cerimonia foi muito especial e maravilhosa! Meus pais pareciam muito felizes! 

No final da cerimonia, algumas pessoas que eram veteranos ou lideres falaram algumas palavras de incentivo para meus pais, incluindo o significado do Gohonzon e da importância da pratica e do estudo. Eles também explicaram sobre o significado do principio básico " A Relação de Mestre e Discípulo". 

Todos os dias meu pai fazia Gongyo e Daimoku ( Nam- Myoho- rengue- Kyo). Ele fazia mais Gongyo do que Daimoku. 

Minha mae costumava falar para ele, " Valmir, eu acho que você deveria fazer mais Daimoku". 

" Eu sei", ele dizia. Mas ele nunca fazia muito Daimoku. 

Ele também nunca lia muito o Gosho ( As escrituras de Nitiren Daishonin). Ele só lia os Goshos quando ele sabia que teria que falar na reunião. 

Apesar do meu pai recitar Daimoku de vez enquanto e quando era preciso, ele mesmo assim recebia benefícios da pratica dele. Eu acho, exatamente como Nitiren diz: " O coração que e mais importante". E com os benefícios que estava tendo ele ainda estava trabalhando na mesma empresa que ele tinha conseguido depois que aceitou a pratica junto com minha MAE. 
Aquele foi o primeiro emprego que ele conseguiu ficar por mais tempo! 

Ele participava de todas as reuniões que ele podia e meses mais tarde ele foi indicado como responsável de Bloco onde ele pode apoiar outros membros do grupo. 

A reunião do grupo passou a ser na nossa casa e sempre tinham muitos membros e convidados. 

Em 1994 meu pai participou do festival em Sao Paulo onde o Presidente Ikeda estava presente. Portanto ele teve a oportunidade de encontrar com Sensei. 

Tudo estava indo muito bem! Meu pai estava trabalhando, indo as reuniões e fazendo a revolução humana dele. 

Mais um dia um responsável acima do meu pai da organização teve uma discussão com meu pai enfrente outros membros em uma reunião. O líder praticava por mais tempo que meu pai e meu pai não aceitou a forma como o líder estava falando com ele. O líder foi agressivo, arrogante e rude. 

Eu não sei explicar a razão da discussão mas eu lembro que meu pai chegou em cada depois da reunião naquela noite e contou para minha mae. Ele parecia que estava muito nervoso e com raiva. 

Depois daquele dia meu pai parou de ir as reuniões porque ele não queria cruzar com o responsável. 

Minha MAE tentou encorajar meu pai dizendo: " Valmir, você precisa estudar o budismo mais profundamente para entender o porque isso esta acontecendo com você. Você nao deveria parar de ir as reuniões só por causa do que aconteceu. Sua fé vai enfraquecer se você nao participar das reuniões". 

Mas meu pai estava tão chateado e desapontado que ele não ouviu minha mae. 

Eu lembro minha mae dizer para meu pai:" Você tem que acreditar no principio budista de causa e efeito e que cada causa feita por qualquer pessoa terá sem falta um efeito. Isso e valido para qualquer pessoa, qualquer ser humano. Neste caso para vocês dois também. Você precisa continuar a fazer suas próprias causas positivas e continuar a praticar para sua felicidade".  

Mas ele nunca mais voltou as reuniões.

Alguns lideres foram visitar meu pai na nossa casa muitas vezes para o encorajar a voltar as atividades e explicaram a ele o principio budista " Revolução Humana ( transformação interior) mas meu pai nunca não conseguiu  aceitar mais aquela pessoa como seu responsável. 

A pratica diária do meu pai enfraqueceu mais e mais. 

Meses mais tarde meu pai foi demitido do trabalho. O carma dele estava ficando mais forte do que ele novamente. 

Apesar do meu pai nao recitar mais diariamente e nao ir as reuniões, ele ajudava a fazer convites e lembranças para muitas reuniões. E ele também fazia Daimoku Sansho ( Nam-myoho- rengue-kyo por três vezes)  quando deixava  e chegava a casa. 

Quando ele parou de praticar eu já estava participando na banda feminina Kotekiai  ( banda da SOKA Gakkai para garotas). Eu lembro que quando eu tinha ensaio da banda que eram sempre no primeiro domingo do mês, meu pai pintava alguns quadros e saia para vender um dia antes e comprava biscoitos e iogurtes para meu lanche.  

Ele também me apoiou quando eu decidi estudar na escola de musica Vila Lobos para aprender musica e ajudar na banda. 

A escola ficava no centro da cidade e eu levava uma hora e meia de ônibus para chegar lá. O ponto de ônibus que eu tinha que ir era uns trinta minutos da minha casa. Então meu pai me levava de bicicleta para eu não perder o ônibus. Se eu perdesse o ônibus eu não só chegaria atrasada na aula, eu perderia a aula pois o intervalo do horário do próximo ônibus era grande. 

Como eu disse antes meu pai estava desempregado de novo. E como ele não conseguia outro trabalho, ele decidiu parar de procurar e ser autônomo fazendo e vendendo suas pinturas. 

Como ele nao trabalhava todos os dias e nao participava mais das reuniões ele tinha muito tempo livre. Então com tanto tempo sem fazer nada ele começou a sair muito com os amigos para beber e passou a usar drogas.

Quando meu pai bebia e usava drogas ao mesmo tempo, ele mudava completamente. Era uma pessoa diferente. Ficava agressivo com outras pessoas. Felizmente ele nunca foi agressivo no sentido agressão física comigo e minha MAE. 

Por exemplo, meu pai uma vez foi na casa de uma amiga nossa na madrugada e acordou ela e toda a família aos gritos. Ele insultou e xingou eles sem razão. No dia seguinte ela foi a minha casa falar com ele e ele não lembrava de nada. 

Ele também brigava com a família dele,irmãos e cunhadas. Eu lembro que eu e minha MAE tínhamos vergonha de ir a casa da minha tia para as festas de Natal porque nos estávamos preocupadas com o comportamento do meu pai. 

Meu pai estava mudando a cada dia mais para pior.  

Alguns anos mais tarde meu pai descobriu sua paixão por ciclismo e ele comprou uma bicicleta velha e montou do jeito dele. Ele andava com aquela bicicleta para todos os lugares. Ele parou de usar transporte publico e viajava para lugares bem distantes. As vezes ele chegava em casa todo machucado por causa de acidente que teve enquanto estava andando de bicicleta.

Quando eu meu pai saia com os amigos e chegava em casa tarde da noite, ele ligava o radio bem alto e ouvia assim ate de manha. Ele acordava todos os vizinhos e todos queriam o agredir porque ele não queria desligar o som. 

Na época minha mae tinha acabado de começar a trabalhar como auxiliar de enfermagem em um hospital. Ela tinha que acordar muito cedo e não conseguia dormir com tanto barulho. 

Minha mae discutia com meu pai e chorava toda a noite. 

Eu sabia que o motivo que minha mae estava chorando era porque ela estava com raiva. Em uma outra época era teria agredido meu pai. 


Ela estava mesmo mudando graças a pratica do budismo. Ela estava mais forte diante dos problemas. 

Acho que minha mae nunca percebeu que eu estava observando ela o tempo todo e que ela se tornaria meu maior exemple. 

Capitulo 3


Capitulo 3- A decisão da minha mae

Minha mae estava tão contente que não agüentava de tanta ansiedade para falar com meu pai assim que ele chegasse o que ela tinha decidido. 

Meu pai estava na rua desde cedo tentando arrumar algum dinheiro com os desenhos que ele fazia. E também visitava as lojas comerciais para perguntar se estavam precisando de algum serviço. 

Naquela época ainda tinha bastante lojas que utilizavam pinturas feita a mão para decorar as lojas. 

Nunca sabíamos a hora que ele podia chegar. Não podíamos contatar ele de forma alguma. Na época nem sonhávamos em ter um celular. Nem sabíamos que isso existia. A única forma era aguardar. 

Minha mae estava diferente e parecia muito contente. 

Depois de bastante horas a espera meu pai chegou. 

Ela não esperou nem ele entrar direito e já foi falando:

- Valmir , conheci uma senhora hoje quando estava vendendo Yakut que pratica o mesmo Budismo do Jorge. Ela estava fazendo a oração quando cheguei na casa dela para oferecer Yakut. Eu ouvi ela recitando a palavra Nam - Myoho- rengue- kyo, a mesma que eu fiz naquela época que você conseguiu o trabalho, lembra? 

Meu pai não teve nem tempo para pensar e responder porque minha mae não deu espaço para ele responder. Ela então continuou a dizer: 

- Ela me fez entrar, nos tomamos café e ela me contou sobre sua vida, o que ela mudou e sobre as reuniões do budismo. 

Meu pai ouvia atentamente o que minha MAE estava dizendo. 

- Eu cheguei em casa e já fiz a oração da palavra Nam - Myoho- rengue- kyo e estou me sentindo muito bem. Disse minha MAE. 

Depois que minha mae terminou de contar tudo que desejava nos mínimos detalhes disse a ele:

- Tomei uma decisão muito seria e desta vez e para valer. 

Meu pai olhou para ela curioso ainda calado.  

- Vou me tornar budista, vou orar em casa todos os dias e vou participar das reuniões. Não  foi por acaso que encontrei o budismo novamente na minha vida. Disse ela. 

Meu pai ficou surpreso e aceitou a decisão dela. 

A partir daquele dia minha mae orava todos os dias o daimoku ( Nam - Myoho- rengue- kyo).  Encontrava sempre com a senhora Roberta para orar juntas e a participar das reuniões da Gakkai. 

Depois chegou em casa com um livro pequeno e fino que também era para ser feito todos os dias. Era a oração do Gongyo ( parte da leitura do Sutra  de Lotus). 

 Gongyo consistia de cinco orações pela manha e três a noite. Um pessoa que já sabia fazer com pratica demorava vinte minutos pela manha e quinze a noite. Como minha mae estava aprendendo, demorava uma hora pela manha e quarenta minutos a noite e mais o Daimoku ( Nam - Myoho- rengue- kyo).

Eu estava com 8 anos na época e comecei a sentar perto da minha mae quando ela ia orar. Logo aprendi a fazer o daimoku mas demorei mais de um mês para fazer o Gongyo. Quando fazia sozinha eu demorava uma hora e meia pela manha e uma a noite. Era longo mais eu gostava. Gostava de ler uma coisa diferente e em outra língua. Também acho que gostava porque já me sentia bem mesmo não tendo consciência disso.  


As primeiras mudanças na vida da minha mae foram óbvias depois que começou a orar. estava sempre mais bem disposta, otimista e alegre. As vendas do Yakut aumentaram e meu pai encontrou um trabalho em um supermercado como desenhista. Ela encontrou um bom medico que solicitou vários exames para descobrir porque que a ulcera dela não estava melhorando com os remédios e passou outros remédios que começaram a fazer efeito. 

 Com todos esses benefícios meu pai decidiu a praticar também e no dia 13 de Dezembro de 1981, mesmo ano que ela encontrou a senhora Roberta, nos tornamos membros oficiais da Gakkai e meu pai recebeu o Gohonzon representando a família. 

Foi um dia especial! Foi um dia lindo! 

Meu pai quando recebeu o Gohonzon em suas mãos teve que fazer um juramento de proteger o Gohonzon com sua própria vida. Todo que estavam presentes tiveram! 

Nunca me esqueço das palavras do sumo prelado que fez a cerimonia. Ele disse que nos éramos o Gohonzon por isso proteger o Gohonzon com nossa própria vida era proteger a nos mesmos. 

A parte que mais me emocionei , apesar ser somente uma pequena menina , foi quando tivemos que dizer: 

- Eu prometo Nam- myoho-rengue- kyo

- Eu prometo Nam- myoho-rengue- kyo

- Eu prometo Nam- myoho-rengue- kyo

Não sei explicar porque três vezes. Também não sei explicar porque meu pai não cumpriu. Mais sei explicar o porque minha MAE e eu estamos conseguindo cumprir e sempre cumpriremos.