Capitulo 10- Meu Primeiro Próprio Desafio
O dia tão esperado finalmente chegou! Eu estava com 13 anos e passei para a banda da Kotekitai e para a Divisão Feminina de Jovens!
O ensaio da banda era mais intenso do que do Pompomtai e nos tínhamos que ler os romances Revolução Humana e Nova Revolução Humana escritos por Daisaku Ikeda, o fundador da banda Kotekitai e presidente da Soka Gakkai. Nos ensaios e nas reuniões nos perguntavam por muitas vezes sobre a vida do Presidente Ikeda. Os responsáveis diziam que nos nunca entenderíamos a relação de mestre e discípulo se nos não lêssemos a jornada dos três presidentes da Soka Gakkai ( Makiguti, Toda e Daisaku Ikeda) pelo Kosen Rufu.
Eu escolhi tocar um instrumento e minha amiga Silvia foi para o setor Baliza. Eu queria tocar saxofone mas infelizmente a responsável da banda da época disse que eu teria que esperar alguns anos para tocar Saxofone porque a banda ainda não estava pronta para um instrumento daquele porte. A banda era composta mais de pifamos, tambores e liras.
Eu confesso que fiquei muito desapontada e eu acho que ela percebeu no meu aspecto pois logo disse:" Eu a avisarei quando chegar a época certa para tocar o Saxofone". Então ela me sugeriu que eu tocasse o pifano, um instrumento japones pequeno prata e que vinha do Japão.
Naquela época não tinham muitas oportunidades para participar de um curso no Japão como tem hoje. As vezes nos tínhamos que esperar por anos para alguém ir! Outra forma para ter o instrumento seria encontrar alguém que tinha tocado na banda Kotekitai. Não era tão difícil encontrar pessoas que tinham tocado na banda mas era difícil converter elas de emprestar o instrumento. Elas tinham medo de nunca mais ver seus instrumentos desde que eles podiam ser quebrados, roubados ou perdidos!
Eu contei a minha mãe sobre o instrumento e ela disse que eu deveria fazer Daimoku para achar a solução.
"Mãe! Como devo orar?"
" Recite 30 minutos por dia sem falhar!"
"Porque 30 minutes?"
"Você pode recitar por quanto tempo você quiser! Não ha regras! Eu sugiro 30 minutos porque você precisa encontrar o pifano rápido uma vez que você deseja tocar na inauguração do Centro Cultural do Rio de Janeiro. Não estou certa?" Minha mãe disse.
Minha mãe estava totalmente certa! Eu realmente queria muito que minha primeira apresentação fosse na inauguração do Centro Cultural! Todos os membros da BSGI do Rio De Janeiro estavam se empenhando muito para participar desse histórico momento! Eu também queria fazer ( dar) o meu melhor!
Minha mãe tinha decidido doar algum dinheiro para a construção do prédio. Eu também doei algum dinheiro que tinha guardado do meu lanche escolar. Apesar de nos nao termos doado uma boa quantidade de dinheiro, minha mãe disse que o espirito de doação feito com sinceridade do fundo do nosso coração era o mais importante. Ela disse que o dinheiro que eu havia doado daria para comprar rolos de papel higiênico. Eu estava muito orgulhosa de mim por poder ajudar a comprar papel higiênico!
"Mas mãe eu não tenho muito tempo! Somente três meses!
"Nao se preocupe com o tempo! Comece a recitar Daimoku hoje e entre em contato com o máximo de pessoas que você puder para encontrar quem tem o instrumento".
Minha mãe estava me ensinando a não perder tempo! Eu deveria entrar em ação rapidamente ( imediatamente) ao invés de ficar pensando no tempo que era curto!
Naquele dia eu comecei a fazer os 30 minutos por dia e as vezes eu fazia mais! Então eu perguntei muitas pessoas da SGI do Rio se eles conheciam alguém que tinham tocado pifano na kotekitai.
Os dias foram passando e eu ainda não tinha nenhuma resposta.
"Nao tenha duvidas!", minha mãe disse. "Se você não acreditar com uma forte convicção você não vencera!"
As vezes minha mãe falava comigo como se eu fosse uma adulta! Eu estava apenas com 13 anos! Mas eu tenho que admitir que eu me sentia mais forte encorajada quando ela falava comigo daquele jeito!
Depois de um mês recitando Daimoku surgiu uma oportunidade para comprar o pifano do Japão porque aconteceria um curso da SGI e uma senhora estaria indo. A responsável da Kotekitai me informou sobre o curso e quem era a pessoa e disse o valor do instrumento. Eu fiquei surpresa com o valor do instrumento! Era bem caro apesar de ser um instrumento bem pequeno! Eu achava que somente os instrumentos grandes eram caros!
Eu estava ciente de que o valor que o instrumento custava era muito para minha mãe naquele momento! Ela ainda era a única que trabalhava permanente e tempo integral. Meu pai não ajudava muito a ela com as despesas e ele trabalhava como autônomo. Então eu decidi não contar a ela sobre o curso da SGI no Japão já que eu não queria a preocupar! Ao invés, eu mantive minha oração para encontrar uma pessoa que confiasse em mim e me emprestasse o pifano.
Mais eu recitava, mais eu acreditava! Eu não era capaz de explicar porque eu me sentia vitoriosa mesmo antes de ter atingido o meu objetivo.
"Isso e porque você esta perto de concretizar seu objetivo! ", minha mãe disse. " Quando você se sentir feliz e vitoriosa independente se já ter atingido ou não seu objetivo, isso quer dizer que você tem conectado sua vida com o universo e seu estado de Buda esta mais forte que seu estado de vida de mortal comum."
Minha mãe as vezes parecia uma bruxa que via o futuro com uma bola de cristal! Mas ela so estava compartilhando comigo a convicção dela. Ela lia muitos materiais e tentava por em pratica o que Nichiren Daishonin e Sensei ensinava. Quando eu lia orientações do Sensei eu me sentia fortemente encorajada e feliz. As orientações dele eram como uma luz no fim do túnel! Após ler qualquer uma de suas orientações ou estórias contadas nos romances "Revolucao Humana" e " Nova Revolucao Humana" eu renovava todos os meus objetivos.
Enquanto eu recitava eu pensava sobre o gosho escrito por Nichiren Daishonin que dizia," “Aqueles que creem no Sutra de Lótus são como o inverno; o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca ouvi ou vi o inverno tornar-se outono. Nem tenho sequer ouvido que algum crente do Sutra de Lótus tenha se tornado um mero mortal comum.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 1, pág. 336.)
Após um mês e meio eu encontrei três pessoas que tinham sido Kotekitai e tinham tocado o pifano. Eu fiquei super feliz e super ansiosa para ter o instrumento nas minhas mãos. Porém isso não foi tão fácil como eu pensei só porque eu tinha encontrado elas. A primeira pessoa que eu fui conversar e pedir o instrumento emprestado não me emprestou o instrumento porque ela estava o guardando para a filha dela que estava no Pompomtai. Voltei para casa um pouco triste.
" Não desista Tatiana! Não tenha duvidas! Você ainda tem duas pessoas para encontrar!" Minha mãe disse.
Eu orei mais Daimoku antes de encontrar a segunda pessoa. Quando eu a encontrei eu realmente achei que voltaria para casa com o instrumento mas ela me contou que não poderia me emprestar o tesouro da vida dela. O pifano era considerado por ela como a coisa mais valiosa que ela tinha porque o que ela tinha vivido como membro da kotekitai e tocado pifano tinha sido o melhor momento da vida dela!
Eu fiquei feliz por ela ter tido um inesquecível e precioso momento como membro da kotekitai mas eu estava um pouco decepcionada e triste por ter que voltar para casa novamente sem o instrumento!
"Querida tem um gosho que diz," Por exemplo, a jornada de Kamakura até Quioto dura doze dias. Se viajar onze dias e desistir no meio do caminho, como poderá admirar a Lua da capital? Não importando o quê, permaneça perto do reverendo que compreende a essência do Sutra de Lótus, continue aprendendo dele os princípios do budismo e persista em sua jornada da fé”. "Você vencera minha filha! Acredite nisso! " Minha mãe sempre me encorajou.
Eu li esse gosho muitas vezes quando eu estava recitando para acreditar que eu teria o instrumento e tocaria na inauguração do Centro Cultural.
Então eu fui ao encontro da terceira pessoa e no caminho eu as vezes tinha duvidas de que eu venceria. Contudo as palavras de minha mãe e os Goshos que eu estava tendo como base nas minhas orações me ajudaram a manter meu coração e minha mente positiva.
Quando eu cheguei a casa da pessoa ela me recebeu com um grande e belo sorriso. Parecia ate que nos tínhamos nos encontrado antes! Ela me convidou para entrar e sentar. Depois me serviu água e um pedaço de bolo. Ela não parecia ser muito mais velha e parecia ser solteira.
"Como posso te ajudar?" Ela perguntou.
" Eu gostaria de saber se você poderia me emprestar o seu pifano." Eu disse. Demorei alguns minutos para responder porque minha voz não saia. Eu estava muito nervosa!
O rosto dela mudou de um aspecto sorridente para serio. Eu fiquei mais nervosa do que já estava! Minhas pernas e mãos estavam tremendo enquanto ela olhava fixamente para mim.
Eu nao tirei meus olhos delas apesar de querer desaparecer!
"Ela nao vai me emprestar!" Eu pensei. Meu lado negativo estava ficando mais forte do que o positivo. Eu estava lutando contra meu pensamento negativo para acreditar que a mudança no rosto dela não interferiria no resultado final. Eu deixaria aquela casa com o instrumento! Eu estava recitando mentalmente.
"Porque você quer tocar pifano?" Ela me perguntou.
Eu nao queria tocar pifano! Eu queria tocar o saxofone mas eu fui informada que eu não poderia ainda. Tocar o pifano tinha sido sugerido pela responsável da Kotekitai. O que eu deveria contar a ela? Se eu contasse a ela a verdade talvez ela não me emprestasse o pifano. Ela poderia talvez pensar que eu não cuidaria bem do instrumento dela já que o pifano não tinha sido minha primeira opção.
"Eu não posso mentir!" Eu pensei.
Então eu contei a ela toda a verdade! Eu contei a ela todas as coisas desde o inicio.
Depois de uma longa conversa ela se levantou foi ate o oratório dela e pegou o instrumento que estava encima do oratório. O pifano estava em uma bolsa feita de propósito para o proteger. Então ela me entregou o pifano de uma forma que parecia que eu estava fazendo parte de uma cerimonia recebendo uma coisa muito preciosa e importante e que eu deveria dar continuidade ao trabalho dela.
Eu peguei o pifano com lagrimas nos olhos! Ela chorou também.
"Por favor cuide bem da minha vida!" Ela disse.
"A vida dela? Eu pensei. "O que ela quer dizer com isso?" Eu perguntei a mim mesma!
Tempo depois eu entendi o que ela queria dizer quando eu ficava super emocionada cada vez que eu tocava com a determinação e missão de transmitir esperança e encorajar as pessoas através da nossa musica para as pessoas que estavam sofrendo. O instrumento, nossa musica e nossa vida eram as formas nos tínhamos escolhido para propagar a lei mística.
"Eu irei!" Eu prometi a ela. E deixei a casa com o pifano! Eu tinha vencido! Eu tinha o instrumento nas minhas mãos! Eu estava voltando para casa com o pifano!
Eu agradeci ela, minha mãe, o Gohonzon e Sensei no meu coração!
Quando eu cheguei em casa minha mãe nao tinha chegado ainda do trabalho. Eu sentei na frente do Gohonzon e recitei daimoku em agradecimento pela vitoria!
Quando minha mãe chegou eu contei tudo para ela! Ela me ouviu atentamente e disse: "Eu sabia que você venceria! Não ha oração sem resposta! Não e isso que Nichiren Daishonin nos assegura?"
Minha mãe era muito especial. Ela sempre me apoiou em todos os momento!
A primeira vitoria tinha sido atingida mas eu precisava aprender tocar o instrumento muito em tempo recorde se eu quisesse participar da apresentação na inauguração do Centro Cultural. A banda tocaria três musicas e uma delas era muito grande e difícil. Enquanto eu estava orando para conseguir o instrumento eu ensaiava a musica usando minha voz para memorizar as notas musicais.
Eu continuei a orar todos os dias para aprender a tocar o instrumento rápido e depois de orar eu praticava o instrumento e ensaiava a musica por uma hora. No inicio era muito difícil tirar qualquer som e eu ficava tonta. Mas eu não desisti e continuei a ensaiar. Eu não tinha muito tempo antes do dia da seleção para saber quem iria apresentar,mas eu estava dando o meu máximo!
Uma semana antes do ensaio da Kotekitai eu já estava tocando as três musicas. O som do pifano não estava muito claro e limpo como eu queria mas também não estava tão mau. Eu orei mais ainda naquela semana para eu tocar com um lindo som quando eu tocasse para a líder da kotekitai, que selecionaria as pessoas.
Minha mãe estava mais uma vez certa quando disse que não havia oração sem resposta. Eu toquei com Meu coração e fui selecionada.
O próximo desafio foi comprar o uniforme que nos usaríamos no dia! Minha mãe disse que eu deveria também orar para que ela conseguisse trabalhar mais horas no trabalho dela e assim poderia pagar o uniforme. Assim eu fiz e ela trabalhou mais horas e eu comprei o uniforme.
No dia da inauguração do Centro Cultural todas as pessoas presentes estava muito felizes! Eu toquei com todas as outras meninas e foi um sucesso! Todas as pessoas estavam emocionada com nossos esforços e nos vimos que algumas delas estavam chorando. Eu chorei também mas isso não interferiu na minha apresentação. Eu chorei porque eu estava me sentindo vitoriosa e feliz estando lá lutando pelo kosen rufu junto com Sensei.
Minha mãe estava lá e ela disse que nos estávamos maravilhosas! Ela também disse que eu tinha tido meu próprio primeiro desafio e que eu deveria estar pronta para outros desafios que provavelmente viriam.
Eu nao entendi o que ela queria dizer! Eu não queria ter desafios sempre! Mas ela disse;" Mas e através dos desafios que você vai ser forjada para se tornar uma pessoa forte e u maravilhoso ser humano. Não tenha medo! Não fuja! Seja corajosa!"
Ela estava certa mais uma vez! Eu teria mais desafios!!!