Tuesday, January 28, 2014

Capitulo 15


Capitulo 15 - Não ha oração sem resposta 

"Fala doutor!" Minha mãe disse. "Nos estamos preparadas para qualquer noticia!"  

Eu olhei para o medico tentando adivinhar o que poderia ser dessa vez. Se eu já não estava na UTI, que era o local que pessoas que sofriam risco de vida, e se meu pulmão direito estava perfeito, o que então seria? 

O medico olhou para minha mae e disse,"Como sua filha não sofre mais risco de vida e não  precisa mais de cirurgia , ela terá que ser transferida para outro hospital. Um hospital que atende pacientes com tuberculose para começar o tratamento o quanto antes" o medico disse. 

"Como assim doutor? perguntou minha mae. "Onde fica esse hospital?" 

"Hospital de tuberculose em Jacarepaguá", ele respondeu. 

"Mas esse hospital não e bom! Todo profissional na área de saude sabe que esse hospital esta sem recursos e que muitos pacientes que sofrem de tuberculose ao invés de melhorarem e se curarem, pioraram.  Alguns pacientes nem saíram com vida" , minha mae disse.

Eu virei minha cabeça rapidamente para o medico esperando a resposta dele.  

"Nao e facil encontrar hospital que aceitam pacientes com tuberculose porque a doenca e contagiosa. Normalmente os hospitais particulares tem uma ala especial para doenças contagiosas mas muito hospitais públicos  não tem, e os que tem, estão cheios e não ha vagas." 

"Vocês já verificaram em todos os hospitais possíveis ?" minha mae perguntou. 

"Sim!" ele respondeu. 

Eu não sabia o que pensar, mas pela cara da minha mãe essa noticia não era nada boa. 

"Quando será a transferencia doutor?" Perguntou minha mãe. 

" Em alguns dias"". Ele respondeu sem muitos rodeios." Sinto muito." 

Depois de dizer isso ele nos deixou sozinhas. 

"Mãe, esse hospital e mesmo ruim?" 

"Parece que sim filha! Eu nunca estive lá mas todos dizem que não e bom para ninguém ser internada nele." 

"O que faremos mãe?"

"Não sei filha. Precisamos orar para achar uma outra solução. Começamos sempre qualquer batalha com a oração como nossa arma. Nichiren Daishonin nos garante que não ha oração sem resposta. E eu não quero você naquele hospital!" 

Minha mãe sempre tinha uma frase do Gosho nos momentos difíceis e decisivos! 

Quando minha mãe foi embora orei para não ser transferida para aquele hospital que o medico disse e ter o melhor tratamento possível. 

Enquanto orava pensei nas pessoas que tinham me visitado naquela tarde e uma das minhas responsáveis contou do festival dos jovens da área Campo Grande que estaria acontecendo em três meses. Os ensaios já tinham começado e que cada ensaio surgiam mais e mais jovens, membros e convidados, para participarem de algum grupo. Tinham grupos de dança, ginastica dos rapazes e outros mais. 

"E isso! Vou decidir ficar boa logo para participar do festival! " pensei alto.

Orei todos os dias, de manha e a noite, com minha decisão na mente, FICAR BOA E PARTICIPAR DO FESTIVAL DOS JOVENS! 

Quase uma semana depois o medico veio me dizer que eu seria transferida naquela tarde. 

Minha mãe veio me ver e ambas estávamos angustiadas esperando a chegada do medico. 

O medico chegou com dois enfermeiros e disse para nos pegarmos todos os nossos pertences e que os enfermeiros nos ajudariam a carregar tudo. 

"Para onde vocês vão levar minha filha doutor?" 

"Eu disse a senhora que ela seria transferida ainda essa semana." 

Minha mãe olhou para mim e eu para ela. Meu coração batia tão rápido que achei que fosse ter um ataque cardíaco. Comecei a fazer Daimoku mentalmente. Minhas orações tinham sido pra não ser transferida para o hospital que o medico disse. Será que minhas orações dessa vez não seriam respondidas? Lembrei da minha mãe dizendo  para as senhoras que ela visitava," Não crie duvida! Se duvidar o objetivo não será concretizado!" 

Orei mais fortemente mentalmente. Minha testa chegou a ficar enrugada. Não podia começar a fazer Daimoku alto. Os enfermeiros podiam se assustar. 

Entramos no elevador e os enfermeiros estavam carregando nossas bolsas.  Minha mãe estava empurrando o carrinho que estava o tubo do remédio que corria para a minha veia e eu puxando o carrinho que estava o tubo que puxava o pus do meu pulmão esquerdo. O elevador ficou cheio com nos quatro e tantos troles. Ninguém conseguiu entrar nos andares que o elevador parava. 

Um dos enfermeiros apertou o botão de um número que não era o da saída do hospital. Minha mãe e eu trocamos olhares mas não dissemos uma palavra. O elevador parou e nos o seguimos. 

O andar que nos estávamos era bem diferente do que eu estava. As paredes do corredor era bem brancas e as portas dos quartos nao eram muito proximas uma das outras. Olhei para dentro de um quarto que estava com a porta aberta e observei que os quartos eram grandes e tinham ate televisão.

Me questionei porque estávamos passando por aquele andar se nos íamos para outro hospital. 

De repente os enfermeiros pararam de frente a uma porta de um quarto e pediu para eu entrar. Minha mãe também entrou comigo. O quarto era bem grande e tinha duas camas, uma na entrada e uma perto da janela. Não tinha ninguém lá no momento mas a cama perto da janela estava desarrumada. Então alguém já estava lá. 

"Tatiana! Pode sentar nessa cama aqui na entrada e espera que o doutor vem falar com vcs " Um dos enfermeiros disse. 

E assim eu fiz. Sentei e olhei para minha mãe que estava se ajeitando em uma cadeira de Madeira que estava perto da minha cama. 

Minha mãe não disse uma palavra. Eu também não. Acho que ela também estava fazendo Daimoku mentalmente. 

Alguns minutos depois chegou o medico acompanhando uma senhora que parecia estar nos seus setenta anos. Ela era parecida com o medico e ele a conduziu ate a cama. Depois que ele a ajudou a deitar, ele então veio ate nos. 

"Desculpem a demora. Eu estava fazendo uns exames na minha tia." 

A senhora que tinha acabado de entrar era a tia do medico. 

Eu e minha mãe olhamos para a senhora e ela deu um sorriso bem ligeiro mexendo apenas um dos cantos da boca. 

"Vocês devem estar achando tudo isso estranho." O doutor disse. 

"Confesso que sim doutor. Eu pensei que a saída da minha filha do quarto era para ir para aquele hospital que o senhor disse outro dia." Minha mãe respondeu. "E de repente sem muitas palavras e explicações os enfermeiros deixou-nos aqui." 

"Desculpa todo esse mistério mas foi preciso todo o cuidado da saída da sua filha do outro quarto para cá porque o que eu estou fazendo e uma coisa que normalmente não e permitido nesse hospital." Ele disse. 

Eu ouvia o medico atentamente e curiosa para saber qual era o segredo. 

"Então o que esta acontecendo doutor?" Minha mãe perguntou com a voz um pouco tremula. Não sei se era de nervoso ou de emoção. 

"Depois que eu comuniquei a vocês sobre a transferencia da Tatiana eu fiquei pensando na sua preocupação do hospital não corresponder ao tratamento que a senhora desejava para sua filha e então durante a semana antes de chegar o dia da transferencia dela eu tomei uma decisão." 

"Que decisão foi essa doutor?" Minha mãe perguntou. 

Eu nao abri a boca para dizer nenhuma palavra! Eu estava assustada com o que estava por vir. Mas eu senti em meu coracao que não era coisa ruim.

"Eu decidi assumir todo o tratamento da Tatiana incluindo a compra dos remédios da tuberculose que aqui não tem e deixar ela aqui nesse quarto junto com minha tia." Ele disse. 

"Então vou poder ficar aqui nesse hospital doutor ?" Eu perguntei. 

"Sim exatamente! Nesse quarto particular oferecido a mim para eu internar a minha tia!" 

Minha mãe e eu abrimos um sorriso. 

"Mas doutor, eu vou contaminar a sua tia com a minha doença!" Eu disse a ele. 

Ele riu. "Não vai não! Sabe porque?" 

Eu balancei a cabeça negando. 

"Porque ela tem a mesma doença que você. A diferença e que uma pessoa jovem como você,se recupera mais rápido. Ela já esta aqui mais de quatro meses." 

"Eu também vou ficar aqui todo esse tempo?" Eu perguntei a ele. 

"Provavelmente sim! Vamos pensar em seis meses. Mas se você se recuperar rápido pode ser em três." 

"Não posso doutor!" Eu disse. 

"Nao pode o que?" 

"Ficar aqui por tres meses!" 

"Tatiana! O que você esta dizendo?" Minha mãe perguntou. 

"Mãe! Eu decidi que sairia do hospital curada antes do festival dos jovens da área Campo Grande que será em tres meses. Preciso sair antes para ensaiar a dança com as outras meninas." 

"Pode esquecer isso!" O medico disse. "Primeiro será impossível você sair antes de tres meses. Segundo mesmo que por alguma razão você  saia em tres meses, você precisa continuar o tratamento em casa e nao pode fazer esforço, pegar sol etc. Acho melhor você tirar essa idéia da cabeça. " 

Minha mãe me olhou com um olhar que eu conhecia bem. Ela sabia que tínhamos que respeitar a decisao do medico, mas ela sabia que para nos budistas a oração era fundamental para transformar qualquer situação que parecia impossível. 

"Agora deixo vocês e volto mais tarde com o enfermeiro desse plantão que vai ficar responsável de te dar os medicamentos essa noite. Serão sempre os mesmos enfermeiros para você  e minha tia." O doutor disse se despedindo. 

Minha mãe me olhou e disse,"Parabéns por mais essa vitoria filha!" 

"Para a senhora também mãe! Eu sei que a senhora esta sempre orando muito Daimoku para eu sair logo dessa situação." 

Ela riu e me abraçou. 

"Mãe! Eu quero muito participar o festival!" 

Ela me olhou fixamente. 

"Filha, esse budismo e para nos dar a possibilidade de mudar nossas vidas no mais profundo. Se você deseja muito isso, ore para concretizar! Já tivemos mais uma prova de que não ha oração sem resposta." 

Minha mãe estava completamente certa! Eu tinha orado para não ser transferida para o hospital de tuberculosos que minha mãe tanto temia e sim para outro e minha oração foi além do que eu desejei. Além de ter ficado no mesmo hospital, estava em um quarto particular em uma área privada para uso dos médicos com suas famílias e tendo todo o tratamento providenciado e financiado pelo meu medico. Eu jamais teria pensado em todos esses detalhes se eu tivesse que fazer um objetivo mais detalhado! Minha oração e meu coração foram além da minha razão. 

Depois de celebrarmos nossa vitoria, minha mãe me ajudou a tomar banho, me deu a janta e foi para casa. 

Sentei na cama com o quarto já escuro e fiz meu Gongyo. Durante o Gongyo senti um forte desejo de vencer e dançar no festival. Então orei Daimoku com forte convicção de que eu conseguira  transformar o impossível em possível. 











Monday, January 20, 2014

Capitulo 14


Capitulo 14 - transformando o veneno em remédio 

Depois do resultado do exame, que dizia que meu pulmão direito estava limpo sem nenhuma secreção, eu já não corria mais risco de vida e fui transferida da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para a enfermaria. 

O quarto para onde eu fui transferida, tinha mais duas pessoas e eu era a única jovem. As camas não eram separadas com uma cortina verde como era na UTI e tínhamos no quarto um banheiro somente para nos três. Na UTI tinha um banheiro para mais de vinte pacientes. Mas também não era um problema tao serio ter somente um banheiro pois muitos pacientes tinham que ter o banho no leito. Eu e era um deles! Meu primeiro banho de chuveiro foi depois de uma semana. 

Enquanto eu esperava na enfermaria o dia do exame, o medico solicitou aos enfermeiros que começassem  o tratamento da tuberculose com os medicamentos adequados.  Eram seis comprimidos por dia. Era muito difícil para mim tomar tantos comprimidos porque eu sentia ânsia de vomito. Sempre foi assim desde que eu era criança e minha mae esmagava os comprimidos para que eu conseguisse tomar ou então pedia remédios em liquido. 

Para piorar minha situação com os remédios, uma das enfermeiras de plantão não tinha nenhuma paciência e começou  a me maltratar todas as vezes que ela me dava os remédios e também quando aplicava as injeções. Ela praticamente gritava comigo para eu engolir os comprimidos rapidamente. E enfiava a injeção na minha veia com forca. Eu as vezes deixava de tomar o comprimido porque não descia na primeira tentativa e deixava na mesa para tomar mais tarde no meu tempo.  E eu também sentia muita dor no local da injeção. 

Eu não falei nada para minha mãe sobre a enfermeira malvada. Conhecendo bem a minha mae, ela seria capaz de dar uma surra na enfermeira. Apesar da minha mãe já praticar o budismo por sete anos e já tinha mudado muitas coisas, inclusive o forte temperamento dela, eu não queria correr o risco de ver minha mãe perdendo a cabeça e discutir com a enfermeira por minha causa.  Então decidi aguentar tudo em silencio! 

Comecei a fazer Daimoku ( oração budista) para resolver aquela situação,pois eu tinha muito medo da enfermeira. 

Um dia um enfermeiro, que aparentava ser bem jovem, entrou no quarto e perguntou  se eu estava bem. Como eu não o conhecia, eu disse que sim. Depois ele voltou outras vezes com a mesma pergunta.  Mais tarde descobri que ele era supervisor dos enfermeiros. 

Um dia ele estava no quarto conversando comigo e a enfermeira malvada entrou. Ela foi atenciosa  quando me deu os comprimidos e pela primeira vez não senti a agulha da injeção entrar na minha pele.  Contudo o enfermeiro chefe deve ter percebido algum sinal de medo da minha parte quando eu a vi entrar porque assim que ela deixou o quarto ele perguntou porque eu fiquei assustada com a enfermeira.  Então eu contei a ele a historia dos comprimidos e da injeção. Ele ouviu tudo e disse para eu não me preocupar porque aquilo nunca mais se repetiria. 

No dia seguinte, ao invés da enfermeira veio um  enfermeiro. Apesar do enfermeiro  parecer com um lutador de luta livre, ele tinha uma mão muito leve quando me dava a injeção e nunca se irritava quando eu fazia ânsia de vomito ao tentar engolir os comprimidos. Ele também era muito divertido e sempre me fazia rir quando não tinha mais veias nas mãos para aplicar as injeções e tinha que me furar nas pernas, pés ou virilhas! Dizia que eu era a pessoa mais furada que ele conhecia. Era um momento muito divertido! 

Senti mesmo a proteção , através da minha oração , quando o supervisor dos enfermeiros estava comigo na hora que a enfermeira veio me dar os medicamentos. E eu fiquei mais tranqüila. 

Mesmo na enfermaria, eu tinha que continuar com a borracha enfiada no meu pulmão e a seringa aplicada em uma das mãos para continuar a receber o remédio que corria do frasco para o tubo e depois na minha veia. Cada gota que caia na minha veia eu sentia queimar. A Pelo menos eu não precisava mais do aparelho respiratório! A parte mais difícil era quando eu queria caminhar pelos corredores. Nos primeiros dias foram muitos difíceis caminhar segurando dos troles porque eu estava fraca e as vezes ficava tonta. Mas eu insisti e  andava sempre que podia! Era muito melhor do que ficar deitada na cama o tempo todo! Minhas costas estavam começando a descascar de tanto ficar deitada. 

Quando eu andava pelos corredores eu sorria para os outros pacientes, que eram a maioria idosos, e fiz alguns amigos. Cheguei ate a ensinar o Nam-myoho- rengue-kyo para uma das senhoras que conversava constantemente. 

O dia do exame chegou e eu fui para um outro andar do hospital junto com o medico e um dos enfermeiros que estava de plantão. Minha mae não estava presente! Na enfermaria ela só podia estar comigo nos horários de visitação, que eram normalmente no final da tarde antes do jantar.  

Fizemos os exames e o medico disse que me visitaria no quarto depois do horário de visitas para passar o resultado. 

Fui para o quarto me preparar para o horário da visita. Eu gostava muito do horário da visita! Minha família, amigos e minha mae vinham sempre me visitar. Não lembro do meu pai nessa hora, por isso acho que ele não estava muito presente também nesse momento. Quando todos chegavam eu ficava muito feliz, mas odiava a hora de deles irem embora. Me sentia muito sozinha. Uma tia minha, irma do meu pai, sempre chorava quando me via. Ela também tinha chorado quando me visitou uma vez na UTI. Eu não gostava de ver ninguém chorando por minha causa. Eu ficava triste. 

Como o medico tinha dito, ele veio ao quarto passar o resultado do exame. Pela primeira vez minha mae pode ficar depois do termino das visitas. 

"E então doutor", disse minha mãe. 

"Então, felizmente o resultado do exame deu o mesmo, seu pulmão direito não tem secreção. Ele esta completamente limpo!" O medico disse. 

Eu e minha mae sorrimos, mas sem muito entusiasmo, porque no fundo já sabíamos que o resultado seria o mesmo. Eu tinha certeza que o primeiro resultado tinha sido positivo em resposta da minha decisão e oração.

"Nos realmente não temos uma boa explicação do porque seu pulmão direito não foi afetado uma vez que o esquerdo estava totalmente afetado pela doença. Normalmente um afeta o outro"  O medico disse. 

Eu e minha mãe vibramos mais uma vez! Nos sabíamos que a medicina não poderia explicar o que a fé tinha feito!  Nos tínhamos transformado nosso Carma! 

"Agora temos um outro problema", o medico disse interrompendo nosso momento de comemoração. 

"Que problema e esse doutor?" minha mãe perguntou. 

O medico parou em frente a cama onde eu estava sentada e olhou para minha mãe e depois para mim. 

O que poderia ser? O que mais estava acontecendo para o medico fazer todo aquele suspense? 

"Seja o que for eu estou decidida a transformar qualquer veneno em remédio", eu disse a mim mesma. 















Sunday, January 5, 2014

Capitulo 13


Capitulo 13 - Meu juramento 

Aquela semana seria crucial em minha vida! Cada dia era muito difícil pensar que a cirurgia do pulmão direito poderia me levar a morte. Eu tinha que vencer infalivelmente! 

Enquanto orava Daimoku eu pensava constantemente "porque" e "para" que eu queria tanto viver. Que tipo de vida eu teria depois daquela experiência de estar diante da possibilidade de perder a vida tão jovem! 

Pensei novamente no Sensei (Daisaku Ikeda). 

Não entendia muito bem porque todas as vezes que ficava com medo, insegura e com duvidas, era do Sensei que eu pensava fortemente. 

Minha mãe sempre me dizia que o Sensei era especial para ela. Que se não fosse o esforço dele para ir ao Brasil para propagar o budismo, ela não teria encontrado a pratica. Então ela era muito grata a ele! 

Eu também ouvia falar do Sensei em todas as atividades que eu participava. 

Nas reuniões dos adultos eles usavam as orientações do Sensei, que vinha no jornal semanal, na revista mensal ou nos livros que vendiam no centro cultural, como base nas palavras de incentivos que os lideres davam, nos estudos do gosho ou nos diálogos sobre algum tema especifico. 

Nas reuniões das crianças os responsáveis nos contavam como tinha sido a vida do Sensei quando ele era jovem. Sobre a saúde frágil do Sensei, sobre o que ele tinha passado na época da guerra, onde e com o que Sensei teve que trabalhar quando jovem e quando ele encontrou Jossei Toda aos 19 anos de idade. E no final da reunião os responsáveis sempre liam uma frase do Sensei como encorajamento. 

Eu sempre ficava muito emocionada com as historias da infância do Sensei porque ele tinha sofrido muito. Acho que por eu sofrer muito também eu conseguia sentir o sofrimento dele. Mas eu também me emocionava muito e sentia uma forte esperança quando ele decidia não ser derrotado e avançar bravamente independente da situação.  


Quando Sensei encontrou Jossei Toda, ele decidiu segui-lo como mestre da vida dele. Eu lembro que a decisão dele de seguir o Toda foi porque ele ouviu na reunião que estava participando, Jossei Toda dar explicações sobre o budismo e a vida de forma que respondia todos os questionamentos que o jovem Sensei tinha por muito tempo. Sensei ate recitou um poema para Jossei Toda no meio da reunião chamado "Oh Viajante!" Sempre que eu ouvia esse poema em vídeos ou nas reuniões, eu me emocionava. 

Era isso! Um significado mais profundo de existência. Eu precisava de um significado mais profundo de como viver minha vida. Exatamente como o Sensei tinha feito. 

Comecei a recitar Daimoku para entender o que eu queria realmente decidir. Durante meu Daimoku senti desejo de viver de forma digna e ajudar outras pessoas a conquistarem a felicidade. Mas o que era a felicidade? Eu não sabia exatamente, mas eu estava mais feliz pelo simples fato de pensar que eu podia ajudar outras pessoas a se tornarem felizes! Então aquele seria meu primeiro juramento! Fazer as pessoas felizes! Então eu estava falando de kosen-rufu. 

Meu segundo juramento foi de seguir o presidente Ikeda como meu mestre da vida por toda a minha vida! E meu terceiro juramento foi nunca abandonar a Gakkai e o Gohonzon! 

Meu Daimoku se transformou! Me senti indestrutível ! Eu senti que a vitoria era certa depois daquela decisão de viver pelas pessoas e para as pessoas! Exatamente como Sensei havia feito quando jovem! 

O dia do exame medico estava chegando. Apesar de estar ansiosa e nervosa, eu não sentia mais medo. Eu sentia em meu coração que eu já tinha sido vitoriosa. 

No dia do exame medico eu não lembro de estar preocupada. Lembro-me somente que queria logo saber o resultado para confirmar o que eu no fundo da minha vida já sentia. A vitoria! 

Fizemos o exame na parte da manha e o medico que me fez a cirurgia e o medico especialista em doenças do pulmão foram falar comigo na parte da tarde. Eles estavam com um aspecto diferente como se algo serio estava acontecendo. Eles demoraram um pouco para começar a falar e eu não tirava os olhos deles. Minha mãe também estava presente. 

"E então doutor, minha filha vai precisar operar o outro pulmão?", minha mãe perguntou a um dos médicos que estava com o resultado do exame nas mãos. 

Ele olhou para minha mãe e em seguida olhou para mim. 

" Que demora!", eu pensei. "O que será que esta acontecendo!" 

Quase que a duvida entrou no meu coração. Mas eu não permiti! Eu venceria aquela batalha e teria a comprovação de que o Nam-myoho-rengue- kyo era mesmo poderoso. 

"Na verdade nos ainda nao sabemos o que aconteceu e vamos pedir o mesmo exame novamente e outros exames mais profundos também", um dos médicos respondeu. 

"Porque?", perguntou minha mãe. "Alguma coisa esta errada?" 

"Não sabemos ainda ao certo", o mesmo medico respondeu. 

"Mas então o que deu nesse exame?", minha mãe perguntou aflita. 

Eu também estava começando a ficar aflita. Porque eles nao iam logo direto ao resultado do exame e ficavam enrolando. Será que o que tinha lá era tão sério assim que estavam receosos de me contar? Será que era algo muito grave ao ponto de que eu nao poderia nem mesmo ter outra cirurgia? 

"Por favor doutor conta logo", eu disse ao medico que estava com o exame nas mãos. 

"Vou deixar o doutor (especialista em doenças do pulmão) falar porque ele sabera explicar melhor o que esta se passando e tambem porque sera ele que cuidara de você daqui para frente."

Minha mãe e eu olhamos para o doutor especialista em doenças de pulmão. Nossos olhos o estavam fixando enquanto ele abria o resultado do exame. 

"Na verdade eu ainda nao tenho muitas explicações para o que ocorreu nesse exame. Por isso estamos pensando em pedir outro antes de dar-lhes muitas esperanças", ele disse. 

"Mas antes de fazer um outro exame, posso saber qual foi o resultado desse?", eu perguntei. 

"Sim claro! Mas peco-lhes que esperem o próximo exame para confirmarmos se esse primeiro exame esta certo ou não." 

Estava começando a ficar agoniada com tantas voltas e explicações. Que resultado tinha dado naquele exame para tanta conversa? 

Ele começa a tirar a radiografia de dentro do envelope provavelmente para mostrarmos, e meu coração começa a bater muito, mais muito mais acelerado do que antes. 

"Nesse exame consta uma coisa que nos médicos não estávamos esperando. Com a cirurgia do seu pulmão esquerdo nos tínhamos certeza de que seu pulmão direito tinha sido afetado também pela tuberculose e que a cirurgia seria quase que 100% certa." Ele começou a dizer. "Mas esse primeiro exame esta dizendo que o seu pulmão direito esta limpo. Não tem nenhuma secreção!" 

Eu comecei a sorrir e meus olhos lagrimaram. 

"Mas por favor, como eu disse antes não vamos comemorar antes de fazermos o segundo exame e mais um outro mais especifico para comprovar se realmente esse primeiro exame esta certo ou não" Ele disse. 

Claro que estava certo! Eu sentia que estava certo! eu sabia que estava certo! eu tinha vencido e não precisaria mais da cirurgia no pulmão direito e não correria mais o risco de morrer durante a cirurgia. Eu nao precisava esperar! A vitoria através do Daimoku e do meu juramento para kosen-rufu junto com meu mestre era minha! 

Ele insistiu nos outros exames e e claro que eu teria que fazer. Mas eu já estava com a vitoria! Poderia fazer qualquer exame que eu já sabia que o resultado seria o mesmo. 

Minha mãe estava tão feliz quanto eu! E nos olhos dela também estava a certeza de que a vitoria já era nossa! 

Quando os médicos saíram, minha mãe pode ficar mais um pouco. 

"Parabéns filha! Vc conseguiu!" 

"Obrigada mãe. Mas essa vitoria não e só minha! E minha, sua e do nosso mestre." 

Minha mãe sorriu e me abraçou. Ela sabia que eu tinha descoberto algo extraordinário enquanto orava para vencer a doença. 

Eu tinha mesmo. Eu tinha descoberto que não poderia mais viver minha vida sem um juramento profundo e sem um mestre! 

Vinha o que viesse! Eu estava pronta para enfrentar qualquer obstáculo e desafio! Eu não  estava mais sozinha...

Eu agora tinha um mestre.