Sunday, December 1, 2013

Capitulo 11



Capitulo 11- Eu Estou Morrendo? 

Uma vez quando eu estava com 15 anos eu me senti  muito mal depois da aula de dança. Eu imaginei que eu estava com febre porque eu estava muito quente. Eu também estava com minhas mãos e pés com a cor verde. Depois que eu cheguei em casa e contei para minha mãe, ela me levou ao medico. Minha mãe disse que aqueles sintomas que eu estava tendo não eram bons. 

No hospital o medico disse que talvez eu estava com algum problema no fígado e deu remédios para a minha mãe me dar em casa. Minha mãe e eu voltamos para a cada e ela achou que com os remédios eu ficaria melhor. Mas não aconteceu! Eu piorei! Então minha mãe ligou para um conhecido dela que tinha carro que nos levou ao hospital. Eu não lembro do meu pai estando por perto naquele momento portanto eu deduzo que ele não estava em casa como de costume. 

O hospital que fomos não era o mesmo que tínhamos ido mais cedo. Esse era muito grande e cheio de pessoas. Haviam muitas pessoas na área de emergência, na recepção e nos corredores. Algumas pessoas estavam gemendo de dor, chorando ou gritando. O ambiente era tenso e sombrio. 

"Mãe, eu nao gosto desse lugar", eu disse. 

"Eu sei querida mas você não esta bem e nos precisamos ver o medico de novo." 

Ela estava certa! Além da febre e mãos e pés verdes, eu estava sentindo uma forte dor na minha barriga e eu não conseguia nem dobrar meu corpo para frente. Eu sentia como se fosse desmaiar. 

Finalmente nos fomos chamados e o medico me deu mais remédios, mas eram diferentes dos que eu tinha tomado mais cedo. O medico também disse que eu teria que ficar internada aquela noite em observação. 

"Mãe, eu nao quero ficar aqui! Eu quero ir para casa!" 

"Querida, será melhor para você ficar aqui! Os médicos podem salvar sua vida se você piorar", ela disse. 

O quarto que eu tinha que ficar era grande e sombrio. Haviam mais de seis camas e todas estavam ocupadas, exceto a minha. As pessoas que estavam lá pareciam muito doentes e tristes.

"Mãe, pode ficar aqui comigo?" 

"Infelizmente eu não posso ficar aqui querida! Somente nos hospitais particulares as pessoas podem ficar junto com seus filhos", ela disse. 

Normalmente pessoas ricas ou com certas condições financeiras, bem melhores do que a nossa, podiam ficar com seus filhos no hospital. Definitivamente nos nao éramos ricos! Nos não comíamos presunto e queijo no cafe da manha todos os dias e carne nas refeições. Pessoas ricas comiam!

"Eu posso tomar o remédio em casa, não posso? 

"Nao querida! Você ficara melhor aqui do que em casa! Como eu poderia trazer você caso você piore a noite? Nos não temos carro e eu não posso incomodar nossos vizinhos e amigos todo tempo. 

Eu sabia que ela estava certa e pensando o que era melhor para mim, mas aquele lugar parecia com um filme de terror. Eu detesto filmes de terror! 

Então minha mãe deixou o hospital depois de me deixar na cama. Agora o quarto estava completo. 

A enfermeira me deu mais de três remédios. Eu tive dificuldades em engoli-los e a enfermeira não teve paciência comigo. 

"Toma esses comprimidos garota!" Ela disse agressivamente. 

Eu tive ânsia de vomito duas vezes e ela me olhou como se quisesse me torturar. Aquilo era pior do que filme de terror! 

Aquela noite foi a mais longa de todas eu tinha tido na minha infância! Eu não consegui dormir por causa da dor que eu sentia e da dor que outros pacientes sentiam. Vozes eram ouvidas não somente no quarto que estávamos mais em outros quartos também. 

Eu chamei a enfermeira duas vezes para pedir mais remédios. Eu estava chorando de dor mas ela não pode me dar mais. Ela tinha que esperar o horário certo para a segunda dose do remédio. Eu coloquei um travesseiro na minha barriga para apertar o estômago e outro nas minhas costas para tentar aliviar a dor que eu estava sentindo. E depois recitei Nam- myoho-renge-Kyo para me sentir melhor. Depois de algumas horas eu cai no sono. 

Minha mãe chegou bem cedo no dia seguinte e eu a vi falando com o medico. Depois ela veio falar comigo. 

"Como esta se sentindo querida?" Ela perguntou. 

Eu comecei a chorar. 

"Nao chore querida! Você vai ficar boa logo logo", ela disse. 

"Eu sinto uma forte dor na minha barriga e nas costas como se uma faca estivesse me cortando," eu disse. Eu realmente não sabia como era a sensação de uma faca cortando minha pele, mas eu pensei que a dor poderia ser tão horrível quanto. 


"O doutor veio te ver durante a noite?

"Não, ele não veio." Eu não contei para minha mãe que a enfermeira tinha sido agressiva comigo. Minha mãe era enfermeira também mas ela tinha compaixão pelos pacientes. Ela jamais aceitaria que a filha dela tivesse sido destratada por nenhuma enfermeira. Eu nunca gostava de preocupar minha mãe! Eu gostava de vê-lá sorrindo e feliz. 

Minha mãe ficou no hospital todo o dia e vinha ficar comigo quando era o horário de visitação. Nos tínhamos três momentos para visitação; de manha depois do cafe, a tarde depois do almoço e a noite antes do jantar. Eu acho que ela não podia ficar comigo na hora das refeições porque eles não queria dar comida para as pessoas que não estavam doentes. 

Eu tive que dormir lá mais uma noite e eu chorei de novo quando minha mãe foi embora. 

A segunda noite foi mais horrível do que a primeira! Eu rolava na cama de um lado para o outro sentindo muita dor. A enfermeira que era diferente da anterior me pediu para parar de fazer barulho ( eu estava gemendo). Ela também não era legal! Eu pensei que só haveria uma enfermeira boa e gentil no mundo, minha mãe! Mas infelizmente ela não era a minha enfermeira naquele hospital. Minha mãe trabalha na casa de uma senhora velhinha como sua enfermeira particular. 

De manha eu nao conseguia abrir meus olhos apesar de não sentir mais dor. Eu ouvi minha mãe falando com alguém no corredor ,perto do quarto onde eu estava, que havia uma ambulância do lado de fora para me levar para outro hospital. Mas parecia que o medico que estava responsável por mim não queria autorizar a minha transferencia. Minha mãe estava falando muito alto mexendo os braços e mãos e apontando o dedo para o medico. 

Então ela veio ate a mim. "Querida! Nos estamos deixando o hospital agora! Pega sua mochila!" Ela disse. 

"Porque mãe? Eu quero ficar aqui!" 

"Porque você quer ficar aqui? Você disse não gostava desse hospital!" 

"Eu disse mãe mas eles estão me dando remédios que param a dor que eu sinto." 

"Eu sei querida mas os remédios que eles estão te dando não são bons para sua recuperação. Mamãe encontrou um hospital melhor para você e os médicos que trabalham lá sãos especialistas e eles cuidarão de você." 

"Eu não quero ir mãe! Eu não quero sentir dor de novo!" 

"Você não sentira dor de novo querida! Acredite em mim!" 

Duas pessoas vieram ajudar a minha mãe me colocar em uma cadeira de rodas para me levar ate a ambulância. Quando chegamos lá fora dois homens vieram ajudar a me por dentro da ambulância. Um estava de uniforme branco e eu imaginei que fosse o enfermeiro e o outro senhor eu não conhecia. Meus olhos ainda estava embaçados e eu estava me sentindo muito cansada. 

"Querida esse e o senhor Francisco. Ele que conseguiu uma vaga para você no hospital que estamos indo agora", minha mãe disse. 

Eu nao consegui olhar para ele! Eu não conseguia mexer minha cabeça! 

Mais tarde minha mãe me contou como ela tinha encontrado aquele senhor. Quando ela contou para alguns amigos o hospital que eu estava, muitos deles disseram que aquele hospital não era bom. Eles conheciam muitas pessoas que tinham estado internado naquele hospital e ficaram piores. E alguns tinham morrido depois de entrar lá. Minha mãe ficou preocupada e começou a procurar alguém que trabalhasse em um bom hospital, para tentar encontrar uma vaga e assim me transferir de hospital. Uma das pessoas que minha mãe contatou  conhecia o senhor Francisco, que encontrou minha me e conseguiu uma vaga em um dos melhores hospitais particulares em Campo Grande. 

Quando a ambulância chegou ao hospital eu estava me sentindo muito pior. Eu nao conseguia ver ninguém! Eu apenas ouvia vozes! 

Eles me colocaram em uma cadeira de rodas e eu ouvi uma voz feminina. Parecia ser a medica. 

" vamos levar ela para a sala de cirurgia agora! Ela não tem muito tempo!" 

A cadeira de rodas era empurrada rapidamente. Eu não conseguia ver direito mas eu achei que a pessoa que estava atras de mim deveria ser a enfermeira porque ela vestia branco. Médicos também vestem branco mas normalmente não empurram a cadeira de rodas. 

"Você e uma enfermeira?, eu perguntei. 

"Sim. Eu sou", ela respondeu. 

"Para onde nos estamos indo?" 

"Nos estamos indo diretamente para a sala de cirurgia. Você precisa de uma cirurgia querida! Mas não se preocupe! Nos iremos cuidar de você a partir de agora! 

Ela tinha uma voz muito gentil e amiga.

"Eu irei morrer?" Eu perguntei a ela. 

"Nao querida! Você não ira morrer!" 

 Eu estava com medo...

Onde esta minha mãe? 

Ela esta lá embaixo. A presença da minha mãe me fazia me sentir protegida mas acho que ela nao foi comigo porque nao era autorizado. Eu deixei meu compro relaxar na cadeira e fechei meus olhos. 

"Nao deixe ela dormir! Acorda ela! Eu ouvi a mesma voz da doutora dizendo para a enfermeira. 

A enfermeira esbofeteou levemente meu rosto algumas vezes eu vi o grande rosto dela e olhos na minha frente. 

"Não duma querida! Não durma querida! 

Minutos depois eu estava deitada na cama e mais de cinco pessoas vestidas de branco estavam em pé a volta da cama olhando para mim. 

Um deles deveria ser o responsável da cirurgia já que ele era o único que falava. 

Apesar de estar muito fraca, eu senti quando minha pele foi rasgada com uma faca ( acho que era uma faca ou algo parecido) e uma borracha fina foi empurrada ate meu pulmão esquerdo. 

"Isso vai doer mas eu não posso fazer nada!" O medico disse. "Eu te dei anestesia mas não vai funcionar completamente porque seu pulmão esta cheio de pus. Você esta com uma seria infecção!" 

Depois que ele disse aquilo eu senti uma dor que eu nunca tinha sentido na minha vida! Eu gritei! Eu gritei bem alto e chamava pelo Sensei ( meu mestre) pelo Gohonzon e gritava recitando  Nam- myoho-renge-kyo. 


"O que ela esta dizendo?" O medico perguntou as outras pessoas da equipe.

Ninguém respondeu. 

Eu continuei dizendo as três palavras todo o momento e o medico começou a ficar muito irritado comigo. 

"Para de dizer aquilo!" Ele disse. 

Eu nao parei! Eu não conseguia! Porque eu não conseguia controlar a dor e eu realmente pensei que eu estava morrendo.



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